EIS QUE CHEGA O NATAL...
Por Eudosia Acuña Quinteiro

Com a pontualidade eterna que lhe é peculiar, o Natal chega todos os anos. E, todos os anos, ele nos encontra desprevenidos, sem planejamento, sem metas e sem saber muito bem o que fazer primeiro, tal a confusão em que a visita do Natal nos encontra.

EIS QUE CHEGA O NATAL...
Por Eudosia Acuña  Quinteiro

Com a pontualidade eterna que lhe é peculiar, o Natal chega todos os anos. E, todos os anos, ele nos encontra desprevenidos, sem planejamento, sem metas e sem saber muito bem o que fazer primeiro, tal a confusão em que a visita do Natal nos encontra.
Todos os anos é sempre a mesma coisa, a mesma indisciplina provocando a mesma confusão material, social e principalmente moral. Mas afinal, o que é que o Natal vem fazer em nossas vidas todos os anos? Será que é só confusão e correria? E toca a comprar roupa nova e compra presentes e mais presentes, para todos, até para as pessoas de quem sequer gostamos, vai fazer o que? Política de boa vizinhança! E haja cartões para todos, a lista parece que não acaba.
Alguns, a gente só lembra no Natal mesmo. É um povo tão distante, com quem não se fala o ano todo. A bem da verdade, pouco nos interessa como estão, mas é Natal, pelo menos cartão tem que mandar, sabe como é, podem reparar.
E compra presente para a sacolinha de Natal dos pobres, qualquer coisinha baratinha, assim Deus ajuda. Pobre só é pobre no Natal...
Mas o pior ainda está por vir. A CEIA!!! Ai que canseira! Corre para o supermercado. Compra, compra, carrega! Parece que não acaba nunca esse tal de Natal. Mas a confusão não acaba aí, imagina... Ainda tem os convidados. Cada gente chata...Pagou quanto neste vestidinho? É de marca? Parece um pouco justo. Se estivesse mais magra cairia melhor. Argh! Ainda bem que esse tal de Natal passa logo e a gente fica livre. Isso é que anima.
A cidade até que fica bonita, toda iluminada, pena que mal dá para reparar, tanta correria. As pessoas sorriem e acenam freneticamente, falando alto, nos desejando BOAS FESTAS que dá até medo. Mas só fazem isso no Natal, ainda bem! Deve ser esse negócio de confraternização, coisa de Natal, depois passa. Mas até aí, é só refresco. Bomba mesmo é a hora da tal da ceia. A entrada já começa quente com a troca de presentes. A cor não era essa... nem o tamanho. Não entra mesmo. Ai que fiasco! Vai dar um trabalhão pra trocar. Mas deixa, é Natal! Depois a gente resolve isso! Êba!
Vamos enfrentar essa ceia. A ceia! Ah, não! Comparar preço agora? O presente dele é mais caro mesmo do que o seu, mas não tinha igual. Vamos, vamos para a ceia. Traz tudo. Êba! quanta coisa! Traz as garrafas. E come, e bebe, e fala e grita e começa a confusão! A pontualíssima confusão da ceia de Natal. Um se ofende, sei lá, e sai batendo a porta. A outra sai para o quarto chorar.Tem uma ala que não se abala, dorme e ronca embalado pelo vinho. Mas é isso o tal do Natal? Não podia ser mais simples, mais pacífico?
Natal é o aniversário de Jesus. Raramente as pessoas se lembram de cantar parabéns para o digno aniversariante. Poucos abrem o Evangelho Redentor para iluminar a festa, meditar e agradecer. É o momento do aconchegante silêncio, do abraço cheio de ternura. Do feliz estar junto com Jesus.